Às vezes a vida é boa


Mais um álbum de Calvin e Haroldo é reeditado no Brasil.
O nome do álbum sugere ficção científica: "Criaturas Bizarras de Outro Planeta". Mas, na verdade, há poucos seres interplanetários nessa coletânea de tiras de Calvin e Haroldo, que ganha nova edição no Brasil (Conrad, 128 págs., R$ 33,90).

– Do blog dos Quadrinhos http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/

A praia, de manhã.


Era o ar gelado ainda, da madrugada que se transforma em dia, num início de manhã que prenunciava sol. Raios laranjas começavam a cair sobre a areia molhada pelas ondas e um vento frio trazia a maresia pra restinga rasteira, próxima a estrada, onde ela parava o carro, encostado-o próximo a uma cerca velha. Tinha um silêncio de morte sendo rompido pelo som das ondas que quebravam na areia alaranjada. Um som contínuo, vivo, bravio. Uma após outra, como um batimento cardíaco. Os batimentos das ondas na areia. Ela pensou na eternidade daquele som. Um coração que batia antes do dela existir e continuaria após o dela cessar. Ficou um tempo lá dentro, com os faróis ainda acesos, olhando aquele cenário alaranjado que ultrapassava a areia e chegava até a beira da estrada. Abriu as janelas do carro e sentiu o ar gelado que vinha da praia, naquela hora da manhã. Acendeu um cigarro e saiu do carro, esquecendo de apagar os faróis. Tinha um Anum pousado na cerca velha, que olhou pra ela enquanto se aproximava da restinga. Tirou as sandálias e sentou na cerca. O vento levantava seus cabelos e também a fumaça do cigarro. Ela olhou o pássaro, intrigada por ele não ter levantado vôo com a sua aproximação. Sentada na velha cerca, olhando aquelas ondas gigantescas estourando na areia, ela podia sentir o poder que vinha daquele mar tão gigante, tão fascinante e tão assustador. O sol, que agora já ia alto sobre a praia, começava a aquecer seu rosto e o pequeno Anum preto finalmente levanta vôo. Ela o segue com os olhos e observa que outro pássaro, aparentemente igual a ele, acabara de passar por eles, lá no alto. O Anum o seguia agora. Só por isso a deixara, ela pensou. Ela acompanha os dois, até finalmente sumirem do seu campo de visão. Se volta então para as ondas, que estouram violentas. Os batimentos das ondas na areia. Um desejo crescente de se juntar a elas. Para isso estava ali. Desce da cerca e caminha devagar entre as folhas rasteiras da restinga sem se preocupar com os pequenos espinhos que furam seus pés descalços. Ela quase não sente a dor. A que sente por dentro, esta sim, é muito maior. De repente, um som abafado, longe, mas familiar. Ela se volta. É o celular que toca dentro do carro. Reflete num segundo. Olha pro mar. Olha pro carro. O toque, de longe, insistente. Ela pensa por um instante. Se volta e continua, em direção as ondas. Não ouve mais o som de quem chama por ela. Não importa mais. Nem mesmo aquela luz, aquele céu, aquele mar, nem mesmo toda aquela vida explodindo nos seus sentidos, parece ser suficiente pra impedí-la de continuar a andar. Seus pés encontram agora a areia já molhada, quando, surgindo do nada, um cão, amarelo, cruza a sua frente, correndo. Late feliz para o dono, que o segue, logo atrás. Assustada, ela o vê aproximando-se devagar. Um homem. Um estranho, que passa por ela. Ele sorri e diz apenas bom dia. Eles passam. Seguem, o cão, latindo feliz, e o seu dono logo atrás. Ele ainda se vira pra ela, e de novo sorri. Ela olha novamente pro mar. As ondas estourando na areia. Olha pro carro, na beira da estrada. Olha pro homem e seu cão, seguindo pela areia já dourada, naquele começo de dia. Ela se volta, enfim e caminha.

Magrelinha


O por do sol vai renovar brilhar de novo o seu sorriso
E libertar da areia preta e do arco-íris cor de sangue, cor de sangue, cor de sangue ...
O beijo meu vem com melado decorado cor de rosa
O sonho seu vem dos lugares mais distantes terras dos gigantes
Super Homem, super mosca
Super Carioca, super eu, super eu ...
Deixa tudo em forma é melhor não ser
Não tem mais perigo digo já não sei
Ela está comigo digo só não sei
O sol não advinha baby é magrelinha
O sol não adivinha baby é magrelinha
No coração do Brasil
No coração do Brasil
No coração, no coração
No coração do Brasil
No coração, no coração

Luiz Melodia

Continuação do post sobre Diego e Frida


Minha noite é como um grande coração batendo (última parte)

"(...) Seu olhar é liso e desliza por todas as coisas. Minha noite quer que você esteja aqui para deslizar em você com ternura. Minha noite o espera. Meu corpo o espera. Minha noite quer que você repouse no meu ombro e que eu repouse no seu. Minha noite quer ser voyeur do seu gozo e do meu, ver você e me ver estremecer de prazer. Minha noite quer ver nossos olhares e ter nossos olhares cheios de desejo. Minha noite quer segurar nas mãos cada espasmo. Minha noite se faria suave. Minha noite geme em silêncio a solidão ao se lembrar de você. Minha noite é longa, muito longa. Perde a cabeça, mas não pode afastar de mim a sua imagem, não pode fazer desaparecer o meu desejo. Ela morre por saber que você não está aqui, e me mata. Minha noite o procura sem cessar. Meu corpo não consegue conceber que algumas ruas ou uma geografia qualquer nos separem. Meu corpo enlouquece de dor por não saber reconhecer no meio da minha noite a sua silhueta ou a sua sombra. Meu corpo gostaria de beijá-lo em seu sono. Meu corpo gostaria em plena noite de dormir e, nessas trevas, ser despertado com os seus beijos. Minha noite não conhece hoje sonho mais belo e mais cruel do que esse. Minha noite berra e rasga os seus véus, minha noite se choca contra o próprio silêncio, mas seu corpo continua impossível de ser encontrado. Você me faz tanta falta, tanta. E suas palavras. E sua cor. Logo o dia vai raiar."
 
(Carta a Diego ausente, Cidade do México, 12 de setembro de 1939. Não enviada)

Chutelibre

Marshmallows are too 'cool' for sunbathing


– Cuidado ao ferver!!

É Massa!


– Tudo bem, cara. Valeu!!

Natalie's Rap



– Você achava a Natalie Portman meiguinha? Pois é, eu também.