Lá fora

Tem certeza de que você ainda pensa no que está perdendo lá fora? A rua é uma espécie de agiota de banho tomado. Ele te seduz agora, mas depois você vai ter que pagar. E com todos os juros que ele estipular. Pense bem. Aqui dentro não parece tão frio, embora seja pequeno. Mas é tão gigante quanto o próprio mundo. O mesmo mundo que você quer tanto engolir. Aqui dentro, recolhido e voltado para dentro de você mesmo, você vai se conhecer melhor. E viajar por todas as estradas que existem dentro deste mesmo mundo que você quer tanto, mas que já existe dentro de você. E este mundo é tão maior e tão mais belo do que qualquer outro. Acredite, você não está perdendo nada lá fora.

Lesma

Piso na água gelada do seu cuspe com o corpo ainda quente da sua febre. Suando, escorrego entre os seus dedos, como um visgo branco de lesma, se arrastando pela calçada. Antes de cair de vez, me esparramando pela gosma branca, suas mãos me seguram firme como um visgo forte de jaca, que despenca, destruída. O cheiro forte. O barulho da queda. Os pedaços espalhados pelo chão. O amarelo forte do visgo poderoso da fruta desperdiçada. O corpo ainda quente da sua febre que não esfria nunca.

Mais cinema



É no mínimo interessante o argumento desta ficção produzida pelo "mago" Peter Jackson (me perdoem os que torcem o nariz pra Senhor dos Anéis. Eu acho incrível). O filme retrata uma situação onde extraterrestres tornaram-se refugiados na África do Sul. Um agente federal fica infectado pela misteriosa biotecnologia alienígena. Ele deve então ir  para o  Distrito 9, um acampamento onde os “não-humanos” são forçados a viver desde que chegaram na Terra há quase 30 anos.
O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 14 de agosto.

É Vamp. É sério.


Daybreakers se passa em 2016, quando a população mundial é composta essencialmente por vampiros, e os poucos vivos são presos para fornecer sangue. Agora o alimento está no fim.
Com o eterno Poeta Morto, Ethan Hawke.

Do blog do Delson

Deixem o garoto descansar em paz

Sempre elas


Um coração doente que não funciona mais, dando como única esperança a seu dono, um transplante. Pierre (Roman Duris) um ex-dançarino é o dono deste coração. O mesmo Roman que, coincidentemente, estrela outro filme, de nome De Tanto Bater Meu Coração Parou, de 2005. Solteiro e solitário, ele conta com a ajuda da irmã Elise (Juliette Binoche), sempre ela. Esta trama centraliza todas as outras que circulam em volta do drama dos dois irmãos, neste mais recente filme do diretor Cédric Klapisch, Paris. Sempre ela. A mesma Paris de tantos outros filmes incríveis e outros nem tanto, que nos fizeram sonhar e idolatrar os tão famosos antipáticos, franceses. Pierre, entediado e certo de que vai morrer, passa os dias na sacada de seu apartamento observando as pessoas e suas vidas, lá embaixo. Embora Cédric tenha feito brilhantemente uma teia a la Robert Altman, onde todas as histórias acabam por se cruzar, em maior ou menor intensidade, é a trama principal do filme a que mais me interessou.

Observando e analisando a vida nas ruas, Pierre tem a fala daqueles que por alguma comprovação ou diagnóstico, sabe que não tem muito tempo de vida, ou, pelo menos que para o seu mal não há cura. Passa a ser estranho para ele, olhar as pessoas vivendo, indo e vindo, seguindo suas vidas normalmente. Ele tem a solidão e o isolamento que só um diagnóstico como este pode dar. É um não fazer mais parte daquela vida que o atormenta, enquanto aguarda em repouso, o transplante que poderá lhe devolver a vida que tinha, ou não. No seu caso é 50% de chances, para um, ou para outro. A irmã, mais velha, vinda de relações que lhe deram filhos e infelicidade, soa a ele como um desperdício, uma vez que se entrega a uma vida apática, sem grandes aspirações e um total esquecimento de si mesma. Como na cena dos dois, na sacada, em que ele tenta, levado por sua angústia, trazê-la de volta a vida, uma vez que ela, em tese, ainda pode aproveitá-la. E não quer. Enquanto o contrário ocorre com ele. Soa como um diálogo entre um suicida e um condenado. Um quer desesperadamente viver. O outro, desesperadamente, deseja morrer. Ao condenado, resta o ultraje que a decisão do suicida lhe provoca. Ao suicida, cabe o repúdio a uma vida que não deseja mais. A vida que o condenado se agarraria, se pudesse.

Apesar disso, Paris está longe de ser um filme triste e arrastado. Mérito de Cédric, na minha opinião. O tempo inteiro ele nos oferece, através de suas histórias, alegres ou tristes, uma esperança. A mesma que Pierre não deveria perder, e que talvez não tenha realmente perdido. Paris está longe do considerado "normal" do cinemão hollywoodiano. Seja pelo seu ritmo de vai-vém das tramas, seja por fugir das linhas temporais a que estamos acostumados a ver no cinema. Por exemplo, o passar do tempo, que não se mostra claro para nós, a não ser por pequenos e sutis detalhes que o diretor apresenta. Paris é uma obra que vale ser vista por todos. Condenados ou não. Amantes da vida, e até mesmo os da morte. Porque apesar de todas as diferenças, pelo menos neste momento, todos temos algo em comum. A vida.

Atores... humpf!


– Juliette

Quase um mendigo

Eu não tenho muito jeito pra ser incrível. Não tenho a aura dos que conquistam fácil. Não tenho a lábia irresistível dos feios. Nem o talento barato dos chatos e letrados. Sou aquele comum cheio de desconfiança. Muita de si mesmo. Quase um mendigo. Aquele que come pelas beiras e deseja sempre e sem razão, embora as vezes consiga, tudo o que é belo, das vitrines mais inatingíveis. Paradoxalmente, no belo, consigo ser incrível. Assim sendo e não merecendo, passo os dias pleiteando, e embora as vezes conseguindo, nada mais do que você.

Atores... humpf!