Rio pra não chorar


Música e imagem são, na minha opinião, os principais fatores pra fazer do filme "Era uma vez...", um bom filme. Um bom filme, não um grande filme. Belíssima trilha sonora, incluindo Elza Soares, Luiz Melodia e Mart'nália. Além de uma fotografia magnífica. Coisa fácil, em se tratanto da paisagem natural da Cidade Maravilhosa. Boas atuações de todo o elenco, com exceção de um ator, que infelizmente, "mata" o filme. Se não fosse por ele, talvez o longa pudesse quase se aproximar do perfeito, se posso dizer assim. Antes de assistir ao filme li algumas críticas, e em comum entre elas, o destaque para um roteiro "fraco" e previsível. Fui ver mesmo assim. A idéia da história me agradava e queria ver também uma outra empreitada do diretor Breno Silveira, que fez de Dois Filhos de Francisco, um grande filme. No caso de "Era uma vez...", como classificar de previsível, duas histórias que já conhecemos? Uma, a de Romeu e Julieta e a outra, a história igualmente triste do desgoverno e caos, do Estado do Rio de Janeiro? Não concordo. Não diria que é previsível e sim, esperado, talvez. Romeu e Julieta, como sabemos, termina em tragédia. Tragédia é o estado que o Rio vive a tempos. A cidade está partida, fazendo uma referência ao livro de Zuenir Ventura, Cidade Partida, citado no filme. A cidade está dividida. De um lado, população sem governo, do outro, criminalidade "governando". Este é o retrato atual do Rio, infelizmente. Não vou citar aqui o desfecho de "Era uma vez..." , mas não é preciso ser nenhum gênio pra saber como ele será. Mais do que uma história de amor, este filme nos dá uma incrível dimensão das diferenças sociais do nosso país. E nós não estamos nada bem. Beiramos a tragédia, de verdade. Ela já está presente em nossa vida diária. Sensível a direção de Breno Silveira. Sensível capacidade de envolver-nos com uma trama tão improvável quanto crível. O amor de Romeu e Julieta, aqui dividido pela classe social, pelo crime, pelo descaminho da população oprimida das favelas. Característica marcante da cidade do Rio, onde pobres e ricos se "misturam" na areia da praia. Mas infinitamente distantes um do outro, na realidade. Previsível? A nossa realidade está assim tão previsível? Então é preciso que se faça algo. E logo. Não perca o emocionante "Era uma vez...".

1 Response to "Rio pra não chorar"

  1. digestao Says:

    Hum,,,será que eu vejo??

    Bjo.